16 de nov de 2010

72% dos americanos querem proibir menores de comprar jogos violentos

Pesquisa realizada pela Common Sense Media entrevistou mais de 2 mil adultos no último mês de agosto nos EUA

Uma pesquisa da organização americana Common Sense Media poderia afetar o desafio legal contra a decisão do estado da Califórnia de banir jogos de videogame considerados violentos, ao menos no campo da opinião pública.
Segundo a Common Sense Media, uma organização sem fins lucrativos que lida com assuntos ligados a família e crianças em mídia e tecnologia, 72% dos adultos nos Estados Unidos apoiariam uma lei que proíba menores de idade de comprar jogos “ultraviolentos ou sexualmente violentos” sem o consentimento dos pais. A pesquisa, conduzida pela Zogby International Media, entrevistou 2.100 adultos entre 13 e 16 de agosto de 2010.
O vice-presidente da Commom Sense, Alan Simpson, confirma que a organização programou a pesquisa para coincidisse com os vindouros argumentos orais sobre o banimento da Califórnia na venda de jogos violentos para menores na Suprema Corte dos EUA. Simpson afirma que a pesquisa sustenta as preocupações do grupo sobre mídia violenta.
“Pensamos que elas confirmam muitas coisas com as quais temos nos preocupado. A maioria dos adultos está preocupada com o impacto de games violentos nas crianças”, disse Simpson em uma entrevista por telefone. “Eles querem que os pais fiquem no controle desse entretenimento.”
Já o presidente da Associação dos Consumidores de Entretenimento do país, Hal Halpin, questionou os resultados da pesquisa.
“A metodologia é sempre essencial com qualquer pesquisa ou levantamento, pois ela se resume a intenção da organização que a está realizando”, diz Halpin. “Se os motivos deles forem puros e o método científico, você pode enxergar esses dados como algo de interesse. Dada a história da Common Sense, eu esperaria totalmente ver resultados que se distorcessem para suportar a posição deles. Uma questão mais interessante seria: se a pesquisa é válida, a CSM iria reverter seu posicionamento se os resultados tivessem apontado para o outro lado?”
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Liberdade ou direito? Novo "Medal of Honor" está recebendo críticas por permitir que jogadores controlem a milícia do Talibã
Como Halpin aponta, um aspecto interessante desse debate é a evidência de outra recente pesquisa com adultos americanos sobre games que contraria o levantamento da Common Sense. O estudo da empresa KRC Research, que entrevistou 1.003 adultos entre fevereiro e março deste ano, 78% dos entrevistados disseram acreditar que os videogames deveriam receber proteção da Primeira Emenda, que inclui a liberdade de expressão como um dos direitos fundamentais.
No entanto, Simpson, da Common Sense, pensa que a pesquisa da KRC pode não contar toda a história.
“Obviamente, toda pesquisa é diferente, e toda pesquisa terá perguntas diferentes”, diz. “Essa pesquisa provavelmente focou em todos os videogames, e nós estamos falando de videogames violentos. Quando você olha para o que as pessoas percebem é um mundo violento dos games – nós estamos falando de títulos que a própria indústria de jogos classifica como apenas para adultos ou pessoas a partir de determinada idade. Penso que muitos pais estão olhando para o mercado de videogames e não estão interessados em ver seus filhos tornarem-se um guerreiro da milícia do Talibã e lutar contra as forças armadas dos EUA.” Esse jogo é o novo “Medal of Honor”, que está recebendo críticas por permitir que os jogadores assumam o papel do Talibã em seu modo multiplayer.
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